sábado, 31 de outubro de 2009


Algumas imagens valem mais que muitas palavras....

Respirou fundo. Morangos, mangas maduras, monóxido de carbono, pólen, jasmins nas varandas dos subúrbios. O vento jogou seus cabelos ruivos sobre a cara. Sacudiu a cabeça para afastá-los e saiu andando lenta em busca de uma rua sem carros, de uma rua com árvores, uma rua em silêncio onde pudesse caminhar devagar e sozinha até em casa. Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul – daquela não-dor, afinal”

. Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Hora de dormir

A Morte e o Amor

Somos todos imortais.
Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais.
Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado.
A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo ‘clima’, certa ‘preparação’.
Certa ‘grandeza’. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo ‘eterno’) cotidiano.
A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor.
Porque o amor, como a morte, também existe – e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte – pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) – nos desarma.
O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade.

Caio Fernando Abreu

I ♥ Halloween !!!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Oun...

Horas, poucas horas...

Quase lá...



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida. Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

É uma dádiva. Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio.
Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O amor.


Carlos Drumond de Andrade

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Own... Muito pouco agora!

O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte.
José Alencar
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.
Fernando Pessoa
O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar
Charles Chaplin
Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.
William Shakespeare
A morte parece menos terrível quando se está cansado.
Simone de Beauvoir
" O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."
Friedrich Nietzsche
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

Mário Quintana
" Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto?
Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer
o que nós aqui traçamos?..."

Álvaro de Campos

terça-feira, 27 de outubro de 2009


Hora de dormir...


"Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto."
Caio Fernando Abreu
"Preciso entrar com certa ordem no que digo, e dizer de novo, vê se me entendes:
ele não se afasta, mas é dentro dele que eu me afasto.
Dentro dele, eu espio o de fora de nós.
E não me atrevo."

Caio Fernando Abreu.
Tem dias que acordo bem.
Confiante. Alegre até.
E outros dias em que penso, definitivamente, este mundo não foi feito pra mim.
Não pertenço a este lugar.
Não é meu ninho e eu desejaria tanto voltar ao meu ninho, mas há muito já perdi o rumo, a forma de encontrá-lo.
Não sei bem o que significa esta sensação de ... não ter nada a preencher.
Mas, hoje, acredito na frase que diz que quando uma porta é fechada, abre-se uma janela.
Mas não quero contar com esta possibilidade. Nem animar-me olhando a vista para onde a janela leva.
Uma possível queda do 7º andar não está nos meus planos.
Vamos indo devagar.


“ A vida está a nossa volta, na água, nas árvores, na violência incontrolável do predador e da presa, em seu sangue. Ela é potente, única, perturbadora e natural – Ela é você!”
" Mentiras sinceras me interessam... "